quinta-feira, 27 de novembro de 2008

SORRIR É UMA DAS COISAS BOAS DA VIDA!




Rir é bom e todo mundo sabe. Mas, mais que isso, rir faz bem para a saúde - física e mental. Isso porque, além de ativar diversas partes do organismo, rir é um ato social.E este tipo de manifestação é tão natural e corriqueira que raramente alguém questiona os motivos de uma gargalhada ou suas conseqüências.Fato é que, para rir, o ser humano gasta energia e faz o cérebro e, conseqüentemente, o corpo trabalharem muito. Para dizer pouco, uma boa risada só é possível graças a ação de circuitos neurais, sistemas sensorial, motor e límbico, cerebelo, hipocampo e lobo frontal, dependendo dos estímulos. De acordo com um vasto estudo desenvolvido pela biomédica Silvia Helena Cardoso, do Núcleo de Informática Biomédica (NIB) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o ser humano tem duas maneiras básicas de desencadear o riso: uma por motivos sociais (quando está em convívio com outros da mesma espécie); e outra, por razões cognitivas (a capacidade de compreensão de piadas, filmes etc. e a capacidade de lembrar de fatos).A área do cérebro responsável por sensações como a felicidade é o sistema límbico (região intermediária, que responde pelas emoções em geral). Mas é no neocórtex, morada de sensações cognitivas como a memória, a visão, a audição e a percepção, que fica o humor do ser humano.




História




Desde recém-nascido, o homem tem a capacidade de rir. "Entretanto, esta é a expressão motora do riso" , explica Sílvia. "Mesmo um cego congênito, que nunca viu ninguém rir, tem a mesma expressão do riso, pois o mecanismo já vem pronto. E o que vai fazer as pessoas rirem por motivos e de maneiras diferentes será o ambiente" , completa.Segundo a pesquisadora, acredita se que a verdadeira origem do riso sejam as brincadeiras dos primatas, como as "brigas amigáveis" .Apesar de terem o córtex bem menos desenvolvido que o do ser humano, os animais também possuem a capacidade social e motora de rir. "Eles não têm a característica cognitiva, que também pode não existir em um ser humano com lesões no córtex" , afirma Sílvia. "Mas também riem e até têm vocalizações iguais ao do riso humano."




Estímulos




O riso é contagiante. Quando uma pessoa ri, normalmente desencadeia a mesma expressão em outras de seu grupo. E isso ocorre porque o cérebro desenvolveu, ao longo da evolução humana, um mecanismo pré-programado de detecção. "O neurocientista Robert Provine sugere, em seus estudos, que temos um dispositivo cerebral detector do riso, uma rede neural que percebe quando uma outra pessoa está rindo e diz que você deve rir junto" , diz Sílvia.As cócegas provocam o mesmo tipo de riso, pois também dependem da relação social, ou seja, da interação do homem com outro de sua espécie e do cérebro com o ambiente. "Precisamos de um estímulo externo para sentir cócegas. E esse estímulo precisa ser físico" , afirma a neurocientista.Ao sentir o toque, o ser humano manda essa informação ao cerebelo. E ele é quem vai predizer as conseqüências do movimento. O sistema sensorial interpreta a ação e avisa o sistema motor que é hora de mexer a barriga, contrair os músculos e rir à vontade."Quando você faz cócegas em você mesmo, o cerebelo tem a capacidade refinadíssima de entender de onde está vindo este estímulo sensorial e dar a resposta da indiferença assim como daria a resposta do riso a um estímulo externo."

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